PALÁCIO DO PÁTIO SALDANHA OU PALÁCIO DA EGA




Este Palácio de Lisboa situa-se no nº 30 da Calçada da Boa Hora, na freguesia de Alcântara. É considerado um Edifício de Valor Artístico e Histórico e o seu Salão Pompeia foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1950.



O seu núcleo primitivo deve remontar ao século XVI, pois sabe-se que em 1582 já era uma Casa Nobre, a atestar pela Fonte de Embrechados existente na sua zona de entrada, na qual a referida data ficou registada para a posteridade.




É constituído por três corpos principais: o da Entrada, o do Lado Sul de dois pisos e o do Salão Pompeia a Nascente.
 O corpo da Entrada, cuja fachada dava para um Pátio
que está agora transformado no Jardim da Entrada, com algumas interessantes espécies arbóreas
.


Estando actualmente o Palácio ocupado pelo Arquivo Histórico Ultramarino, do Ministério da Ciência e da Tecnologia, à data da minha visita estava nele a decorrer uma Exposição subordinada ao tema: “Colonização em África”. Por tal razão, não só se encontravam expostos numerosos cartazes nos mais diversos locais do Palácio, como as escadarias para o piso superior assinalavam com autocolantes, os factos ocorridos nos diferentes anos da Colonização.

 

A Fachada do Palácio possui três grandes portões, ostentando o portão principal, o brasão dos Coutinhos, Albuquerques e Saldanha.

O título de Conde da EGA foi criado por carta de 25 de Fevereiro de 1758 pelo Rei D. José I de Portugal a favor de Manuel Saldanha de Albuquerque e Castro (1712-1771).




Do seu átrio central sobe-se ao piso superior por dois amplos lances de escada com lambrins de azulejos, alguns do século XVII.


Continuando à direita, ainda no piso térreo, depois das referidas escadarias existe também uma zona com assentos de pedra, que sugere ter sido uma antiga Sala de Espera de visitantes pouco importantes do Palácio, ou mesmo, ter sido um local de entrada de Carruagens de visitantes.



O Corpo Sul do Palácio, também de dois pisos, possui uma grande frente para o Rio Tejo, dando igualmente para um jardim incluindo um grande lago de forma oval.





O corpo do Palácio onde foi integrado o Salão Pompeia, foi criado no início do século XVIII, a Nascente e no prolongamento do corpo Sul. Como se pode observar na imagem seguinte, ele termina, em cima, numa pequena torre, onde foi integrada, artisticamente, a belíssima cúpula interna do Salão Pompeia.


Continuando a visita pelo andar superior do Corpo Central do Palácio, subindo a escadaria da esquerda, com os seus lambris de azulejo portugueses, alguns do século XVII, acedemos a uma grande sala totalmente decorada com painéis de azulejos portugueses de meados do século XVIII, com motivos campestres e de caça. Destes pouco se podia ver, pois estava repleta de estantes e móveis ali colocados pelo Arquivo Histórico Ultramarino.



O acervo da Biblioteca do Arquivo Histórico Ultramarino é maioritariamente composto por obras referentes à história da presença dos Portugueses no Mundo e também das comunidades com as quais se relacionaram, nas diferentes vertentes. Inclui agora cerca de 15900 monografias e 720 títulos de publicações em série, num total aproximado de 35000 volumes. Muitos destes documentos estão já digitalizados, tais como a Legislação Antiga e da Legislação Novíssima do Ultramar, que cobrem o período entre 1446 e 1910.


 Seguem-se várias salas ocupadas pelo referido Arquivo, todas elas repletas de equipamentos de arquivo.


 Entre tantas outras salas, podem referir-se as dedicadas ao Brasil e à Índia e, só lá bem no fundo do corredor, se encontra o célebre Salão Pompeia.




É um Salão digno da sua classificação de IP-Imóvel de Interesse Público Nele pode admirar-se uma decoração realmente fora de série que, com a realização da Exposição que nele decorria à data da nossa visita, ficou bastante prejudicado ao nível da recolha de material fotográfico.



 São também nele visíveis as marcas de um passado muito conturbado, pois de algum modo acompanhou as vicissitudes dos seus proprietários desde as Invasões Francesas que, ao contrário do que aconteceu a muitos outros Monumentos Portugueses, foi por elas beneficiado! Ora vejamos um pouco da sua simultaneamente alegre e triste história.


São também nele visíveis as marcas de um passado muito conturbado, pois de algum modo acompanhou as vicissitudes dos seus proprietários desde as Invasões Francesas que, ao contrário do que aconteceu a muitos outros Monumentos Portugueses, foi por elas beneficiado! Ora vejamos um pouco da sua simultaneamente alegre e triste história.


Durante as Invasões Francesas foi vivido neste Palácio um grande esplendor sob a coordenação do segundo Conde da Ega, Aires José Maria de Saldanha, que havia regressado de Espanha, onde desempenhara o cargo de Embaixador de Portugal. Foi ele que, com tal finalidade havia mandado fazer grandes obras de embelezamento, em que incluiu a construção do Salão Pompeia, recorrendo para tal a os materiais e artífices do melhor que havia na época.



Reunidas as condições consideradas necessárias, o Palácio passou a ser cenário de grandes festas, sendo o Salão Pompeia o grande Salão de Festas. De entre os frequentadores das mesmas, salientou-se o General Francês Junot que era amigo da Família Saldanha. Por tal razão, após a expulsão das tropas francesas, os Condes da Ega foram exilados, tendo sido obrigados a abandonar o País.

Durante o período da presença Britânica em Portugal, o Palácio, que havia ficado abandonado pelos seus proprietários, foi usado como Hospital das Tropas Anglo-Lusas e, posteriormente, como Quartel-General do Marechal Beresford, a quem acabou por ser doado em 1820 por D. João VI.


Em 1823 a Família Saldanha regressou a Portugal, foi reabilitada e requereu a posse da sua casa senhorial. Depois de longa demanda em Tribunal (15 anos!), é-lhe finalmente entregue o Palácio relativamente degradado em 1838. Contudo, os gastos do exílio e do tão longo processo judicial foram tais, que a situação financeira da Família já não lhe permitiu a manutenção do Palácio.





Foi então vendido e passou depois por vários proprietários até ser adquirido em 1919 pelo Estado. Só depois foram realizadas obras de grande vulto, para ali poder ser instalado o Arquivo Histórico Colonial, criado em 1931. Recebeu também depois desta data obras diversas para instalação de novos arquivos, o que não tem invalidado que se tenham mantido fortes reminiscências palatinas.



Do belo Salão Pompeia cuja decoração inicial fez recurso a materiais muito diversos, refiro entre os mais perecíveis algumas pinturas que vão dando mostras de degradação, os tecidos de enrolamento das colunas e algumas pinturas figurativas que já sofreram diferentes intervenções.

De entre os mais resistentes materiais então usados, refiro os oito painéis de azulejos Holandeses a azul e branco (mais pequenos e menos brancos que os portugueses), do início do século XVIII, representando vistas de outras tantas cidades portuárias, nomeadamente: Antuérpia, Colónia, Constantinopla, Hamburgo, Londres, Midelburgo, Roterdão e Veneza. Entre eles:






Deste belo Salão, sobressai claramente a sua cúpula que, para poder continuar ainda tão bem, teve de ser certamente concebida e feita com materiais muito leves.


Por tudo o que vi neste Palácio-Edifício, sinto-me grata ao Arquivo Histórico Ultramarino que, com a sua presença tem permitido, senão a total restauração do mesmo, pelo menos a manutenção do Palácio, para ali poder continuar a ser apreciado por todos os que, tal como eu, têm a oportunidade de o visitar.

Em 1973 este Palácio foi integrado na Junta de Investigações Científicas do Ultramar, à qual se agradece que continue a zelar por ele.



Trabalho preparado em 19 de Março de 2019
por M. Elisabete M. Almeida

 Inclui uma grande maioria de imagens pessoais e algumas da Internet amplamente divulgadas.



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