ESTAÇÃO DO ROSSIO
EHOTEL AVENIDA PALACE
LISBOA-PORTUGAL
Localizada
no final do extremo Sul da Avenida da
Liberdade, bem no centro da cidade, mais precisamente entre as Praças do Rossio e dos Restauradores, este edifício sobressai
ali pelo requintado estilo da sua fachada neo-manuelina.
Com
as suas oito portas, combinadas com as suas nove janelas e o profusamente
decorado relógio situado no seu topo central, esta fachada surpreende o
visitante, quer de dia, quer de noite, graças à sua cuidada iluminação.
Foi
desenhada por José Luís Monteiro (Arquitecto-Chefe
na Câmara Municipal de Lisboa entre 1880 e 1909) por solicitação da Companhia Real de Caminhos de Ferro
Portugueses, num estilo genuinamente Português, incluindo aspectos do Estilo Manuelino, tais como baixos-relevos,
flores e a Estátua de D.Sebastião, associados
a símbolos ferroviários, tais como o Grande
Relógio e o Grande Janelão Central
do primeiro piso (1886).
À
data da sua inauguração (11 de Junho de 1890), o seu projecto integrava, para
além do Edifício Central de Passageiros
das linhas férreas, a Plataforma de
Embarque, a Grande Cobertura com
estruturas em ferro e vidro, um Túnel
que, com as obras nele realizadas entre os anos de 2004 e 2008, com os seus
cerca de 2600 metros de comprimento, liga agora esta Estação à de Campolide onde, actualmente, se encontram os
equipamentos de manutenção dos comboios que, antes, se encontravam também no
Rossio. A reabilitação deste Túnel é considerada a maior obra de engenharia realizada
no século XIX.
Por
sua vez, a Nave da Gare tem 130
metros de comprimento, 21 metros de altura e em 1989 já albergava nove vias.
Curiosamente,
também o Avenida Palace já fez parte
do projecto de José Luís Monteiro,
para poder funcionar como Hotel de
Estação, razão porque a ela ficou directamente ligado.
Contudo, este já com composição clássica de influência Francesa (provavelmente consequência da Bolsa realizada pelo referido Arquitecto na École Nationale et Speciale des Beaux-Arts de Paris, em complemento da sua formação inicial na Real Academia de Belas Artes de Lisboa).
Contudo, este já com composição clássica de influência Francesa (provavelmente consequência da Bolsa realizada pelo referido Arquitecto na École Nationale et Speciale des Beaux-Arts de Paris, em complemento da sua formação inicial na Real Academia de Belas Artes de Lisboa).
- Por ter ficado ligado interiormente à Estação do Rossio, através de uma galeria interior, também para a construção deste Hotel se recorreu aos conhecimentos técnicos mais inovadores e aos melhores materiais existentes na época.
Foi inaugurado em 1892, sendo considerado, mesmo na “Belle-Époque”, um dos melhores hotéis da Europa. Já à época, a sua decoração interior era sofisticada e todos os quartos dispunham de aquecimento, ventilação e quase todos de casa de banho privativa. Felizmente esta obra de arte arquitectónica nunca foi abandonada, pelo que as suas sucessivas transformações foram realizadas de modo a nunca perder o seu “glamour” original.
Actualmente o Hotel é Património Histórico da Cidade, dispondo de 82 quartos, entre os quais, uma Suite Residencial, 3 Suites Palace e 13 Suites Júnior, tendo a sua ultima remodelação ocorrido em 2009.
Segundo consta, os salões deste hotel foram frequentados por indivíduos do mundo das finanças, da política, da igreja e das artes. Terá sido, por isso, palco de intriga política e de espionagem, tendo mesmo estado ligado a importantes momentos da nossa história, como por exemplo o facto de, em Dezembro de 1918, Sidónio Pais ter sido alvejado quando, seguindo a sua rotina, seguia para almoçar no Restaurante do Hotel. Consta também que, de uma das suas varandas, foram testemunhados os assassinatos do Rei D. Carlos e do seu filho D. Luís Filipe, seu primogénito e, naturalmente, o seu herdeiro ao trono.
Consta ainda que, sendo conhecido em todo o mundo pela sua beleza singular, o Imperador Hirohito do Japão, escolheu este hotel para passar a sua lua de mel. Foi também escolhido para cenários de filmes, tais como "O Conde de Monte Cristo" e, mais recentemente, "Passagem por Lisboa".
Por
estas e outras razões, actualmente,
com um dia a dia bem mais calmo, o Hotel
Avenida Palace contínua de portas abertas, pronto a receber os hóspedes que
escolhem visitar Lisboa, preferindo ficar alojados num local tão importante da
história recente.
Continuando a seguir as histórias comuns aos dois Edifícios, em Setembro de 1977 na sequência do ocorrido com o Edifício da Estação do Rossio, que foi classificado como IP-Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto nº 516/71, DG. I Série, nº 274, de 22 de Novembro de 1971, o Hotel Avenida Palace também passou a estar classificado como IP-Imóvel de Interesse Público.
Afim de a preservar, a Estação do Rossio foi posteriormente objecto
da publicação do Decreto nº 31911 proibindo nela a iluminação de quaisquer
anúncios. No seu interior, foram desde início introduzidos elementos
relativamente modernos, tais como dois ascensores para o público, inicialmente
com sistema hidráulico, substituído posteriormente por sistema eléctrico, além
da Zona de Bilheteira, Alfandega e Guarda Fiscal (de mostrando o inicial carácter internacional desta Estação), Sala de Espera, Gabinetes e outras infraestruturas para os
funcionários, bem como uma Zona VIP,
destinada aos monarcas e, posteriormente, aos Chefes de Estado. Actualmente,
nesta última, são realizados Eventos variados.
Dado
o grande desnível existente entre o Edifício
da Entrada de Passageiros, à cota do Rossio
e dos Restauradores, e a altura das
vias férreas, o excepcional projecto inicial teve ainda de incluir um Conjunto de Rampas desde o Largo Duque de Cadaval, situado à sua
esquerda e a Rua Nova, de modo a
vencer tal desnível e também aceder ao Largo
do Carmo.
Dado
o seu indubitável interesse para Lisboa,
esta Estação Ferroviária foi sendo
objecto de diversas requalificações ao longo dos anos, tendo no século XX
surgido várias campanhas de embelezamento do seu interior. De entre elas se
salienta a introdução, à esquerda da sua Gare,
de um conjunto de painéis de azulejos produzidos pela Fábrica de Cerâmica de Constância entre 1995 e 1996, com a maqueta
de Lima de Freitas...
...e, à direita, um conjunto de tondos, oferecidos pelo Fundo de Fomento de Exportação em 1958, ilustrando as principais exportações nacionais.
...e, à direita, um conjunto de tondos, oferecidos pelo Fundo de Fomento de Exportação em 1958, ilustrando as principais exportações nacionais.
Os Painéis de Lima de Freitas (1927-1998) revelam naturalmente a sua Filosofia de Vida. Como é bem conhecido, ele foi um grande pintor Setubalense, desenhador e ensaísta Português que ilustrou mais de uma centena de livros, de que se destacou Porto-Graal (Portugal), publicado em Março de 2006, com ilustrações de cariz filosófico e esotérico, relacionado com a “Alma Lusa” ligada à História Oculta de Portugal, de que era um profundo conhecedor e estudioso. Segundo aquele livro, Porto-Graal é um lugar de Luz ou “Lux-Citânia”, cujo destino falta cumprir numa “Nova Era Universal, a do V Império”, no dizer de Fernando Pessoa ou do Padre António Vieira.
Não
surpreende pois, que os Painéis de Lima
de Freitas, expostos na parede esquerda da Gare da Estação do Rossio, procurem traduzir e identificar a
essência e o “Espirito de Lisboa”,
como cidade e capital da “Universalidade Lusa”,
numa época em que a vida moderna já então quase fazia perder a “Alma das Cidades e das Gentes”. Como
referia Lima de Freitas, “importa tentar desvendar os tesouros do
imaginário de Lisboa, do seu tecido de fábulas, tradições e mitos que se foram
criando entre a sua Vocação e a sua História, visíveis nas lendas e narrativas
do passado e guardadas na memória e no fundo do inconsciente colectivo”,
caracterizando a sua identidade”.
Assim,
Lima de Freitas pretendeu com os seus Painéis
da Estação do Rossio, antes de tudo, definir um temático do imaginário
urbano, decidindo quais os temas universais e as constantes míticas que mais se
iluminam e reverberam no “espaço” que é o da Alma, da Saudade e dos Sonhos de Lisboa e da sua Memória Colectiva, Subliminal e Arquetípica”.
Passemos então a visualizar cada um deles, pela ordem em que estão expostos:
S. Vicente de Lisboa Santo António junto à Sé
O Santo Condestável Rainha D. Leonor e a Madre de Deus
Lisboa Imaginada por Francisco da Holanda A Visão Cósmica de Camões
Jerónimos: a Mão de Cristo
D. Sebastião: o Encoberto Padre António Vieira e o V Império
Almeida Garret e o Teatro D. Maria II Alexandre Herculano:a História e o Mito
Pessoa e o Caminho da Serpente Almada Neopitagórico
Completa
estes Painéis de azulejos, um outro Painel colocado na parede frontal da base
das escadas rolantes que, no subsolo, agora ligam a Estação do Rossio directamente à Rede do Metropolitano de Lisboa.
Ulisses e a Lusitânia
Lamentavelmente, o corre-corre da Vida Moderna, faz que a maioria dos passageiros que passam por todos estes interessantes Painéis, nunca se tenha detido uns minutos a apreciá-los, na sua verdadeira dimensão!
Como
já referido, também na Gare da Estação do
Rossio, mas agora na sua parede do lado direito (referente à entrada para
os comboios), pode ser apreciado, um conjunto de tondos, oferecidos pelo Fundo de Fomento de Exportação em 1958,
ilustrando as Principais Exportações Nacionais de então.
Aqui ficam eles apresentados pela ordem em que estão
colocados a partir do controlo de entrada, após a Bilheteira da Estação:
Mais recentemente, depois do reconhecimento
pela UNESCO, do Fado como Património Oral e Imaterial da Humanidade, passou a complementar a riqueza da Fachada desta bela Estação Ferroviária,
um conjunto escultórico em bronze e em tamanho natural, representando o Fado (do
lado esquerdo das escadinhas da sua entrada).
Ora diga-se lá, se esta Estação Ferroviária de Lisboa, associada ao seu contemporâneo Hotel Avenida Palace é, ou não é, muito
especial?
Trabalho preparado por M. Elisabete M. Almeida
em Abril de 2019
A grande maioria das imagens são da sua autoria
sendo usadas algumas da Internet, com autor assinalado, sempre que conhecido.

































